| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Galliformes |
| Família: | Cracidae |
| Rafinesque, 1815 | |
| Espécie: | O. canicollis |
O Aracuã-do-pantanal é uma ave galliforme da família Cracidae. É conhecida na planície pantaneira pela variante Aranquã (Araquã).
Seu nome científico significa: do (grego) ortalis = galinha; e do (latim) canus = cinza; e collis, collum = pescoço; canicollis = pescoço cinza. ⇒ Galinha com pescoço cinza.
Mede de 50 a 56 cm de comprimento e pesa de 480 a 600 gramas, sendo a maior espécie do gênero Ortalis. Testa anegrada, cabeça e nuca cinzas. Pele do olho vermelha. A característica mais marcante na plumagem é a cauda, longa, onde destacam-se as penas laterais marrom avermelhadas, contrastando com o cinza escuro das demais. Em voo ou pousados, deixam a cauda entreaberta, tornando visível essa característica. Pelo formato das asas, relativamente pequenas e redondas, precisam batê-las intensamente para cruzar áreas abertas. Apesar disso, atravessam os rios pantaneiros sem problemas. Seu som é dominante nas manhãs e tardes do Pantanal.
Possui duas subespécies:
Fazem dueto alto, forte “kara-kaka, tototo´terere”; etc. Os casais e grupos familiares gritam seu chamado. Um casal ou grupo começa a gritar e, pouco a pouco, outros começam a responder, espalhando-se por toda a região. O som do macho é mais grave do que o da fêmea, sendo ambos produzidos pelo ar passando pela longa traqueia, maior no macho. Esse comprimento é tão longo que, vinda do pulmão, a traqueia dobra-se sobre o peito e parte da barriga da ave (sob a pele), antes de voltar ao pescoço e chegar à garganta. Em alguns lugares, transcreve-se o canto do macho como “quero matar”, ao qual a fêmea responderia “quero casar”.
O aracuã vive tanto no solo, quanto nas árvores, preferindo as alturas, alimentando-se de folhas, frutos, sementes e flores, além de lagartas. No período de baixa de águas, quando várias árvores ficam sem folhas e florescem (como os ipês e Tarumã Vitex cymosa), pode-se observar os aracuãs comendo flores nas pontas dos galhos nus. Em bandos de até 30 indivíduos ficam empoleiradas nas galharias à procura de frutos, defecando as sementes intactas e atuando como grandes dispersoras.
No início das chuvas, começam a reproduzir. Fazem ninhos com galhos, cipós e folhas, em formato de plataforma e material pouco organizado. Ficam em árvores ou arbustos com folhagem densa, de 2,5 a 4 metros de altura, onde são postos 4 ovos alaranjados ou de cor creme escuro, chocados durante 28 dias. Um ou dois dias após nascerem, os filhotes emplumados já voam, acompanhando os pais ou grupo pelas árvores. Para dormir, ficam empoleirados ao lado de um adulto, o qual os protege com as asas entreabertas.
Quando não é perseguido, habita as áreas próximas às casas. Chega a freqüentar o terreiro das residências pantaneiras.
Vive em matas ciliares, mata de galeria, palmares, capoeiras, matas secundárias, carandazais, bacurizais, veredas, ambientes alagadiços, cerradão e matas secas. No pantanal só não vive em campos e cerrados sem capões de matas.
No Brasil está presente em toda a planície do pantanal. Ocorre também no Paraguai, na Bolívia e na Argentina.
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